Foi bonita a festa, pá!

0 12

No início do documentário de José Filipe Costa, Prazer, Camaradas, vemos uma van transitando por estradas do interior. Os passageiros são animados senhoras e senhores de 3ª idade, que se apresentam à câmera: “Fulana, 23 anos”; “Beltrano, 25 anos”. As idades não batem com as fisionomias, o que cria certa estranheza. Quem são eles, afinal?

Em 1974, depois da Revolução, muitos estrangeiros e portugueses do norte seguiram para a região central do país para ajudar nas recém-formadas cooperativas. As visões progressistas sobre os costumes e a sexualidade dos forasteiros logo se chocam com os comportamentos locais, mais conservadores.

A experiência de mais de 40 anos atrás é reinterpretada pelos personagens, agora idosos. Em pauta, política e costumes. Como diz o diretor, o 25 de abril não foi apenas uma revolução política, mas moral e sexual. As discussões de ontem se parecem às de hoje. Mas algum caminho foi percorrido.

O filme passa uma energia boa. Feita de humor, transgressão, compreensão das coisas do mundo e das gentes. E alguma fé no futuro, condimento indispensável ao pensamento progressista. Quem não acredita que as coisas possam mudar – e, eventualmente, para melhor – não se mete numa aventura revolucionária, que é sempre um salto no escuro.

Pode-se dizer que o sonho durou pouco: “Já murcharam tua festa, pá”, na canção imortal de Chico Buarque sobre a Revolução dos Cravos. Mas alguma semente sempre resta dos sonhos vencidos. Ou não?

Fonte

Leave A Reply

Your email address will not be published.