Olhar de Cinema: Curtas Mostra Competitiva – Cinemascope

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Confira a nossa breve opinião sobre os curtas Chão de Rua, El Màrtir, El Silêncio del Río e Noite Perpétua, exibidos no Festival Olhar de Cinema:

Chão de Rua

Direção: Tomás von der Osten | País: Brasil

Após o expediente, o pedreiro Alberto (Santos Chagas) têm um inesperado encontro com sua meia-irmã, Valéria (Ma Ry). Ela pede para passar a noite em sua casa, o que ele evita, uma vez que sua esposa, Célia (Patríca Saravy) não gosta da garota. Contudo, Valéria não tem onde dormir e acaba pernoitando na casa de Alberto.

Com uma fotografia econômica nos planos e movimentos de câmera, Chão de Rua apresenta uma relação simples, mas conflituosa entre irmãos. A atuação de Santos Chagas dá a Alberto um realismo cativante e é belo perceber as diferentes nuances do personagem em seu relacionamento com Valéria e Célia. A trilha sonora é pontual mas muito certeira e revela ao público sentimentos não ditos. Um trecho da música Mentira Também é Verdade resume bem o modus operandi de Alberto: “tenho medo da realidade, porque nunca deixei de te amar”.

El Màrtir

Direção:  Fernando Pomares | País: Espanha

Organizada a partir de fragmentos de imagens, a narrativa de El Màrtir apresenta a violência e a agressividade desferidas contra corpos de homens sírios, perseguidos em alguns territórios de países europeus. A história nos é narrada pela visão de uma mulher, que melancolicamente fala sobre o processo cíclico de cuidado com o outro ao reviver uma tragédia pessoal.

Utilizando uma família síria como arquétipo, El Màrtir revela uma situação recorrente de destruição de histórias, perseguição inclemente e espetacularização da tragédia. Desse ciclo vicioso, restam feridas nunca cicatrizadas.

El Silencio del Río

Direção: Francesca Canepa | País: Peru

Em El Silêncio del Río acompanhamos o mundo onírico de um menino de 9 anos, morador de uma casa flutuante no rio Amazonas. Seu desejo é ser um contador de histórias, assim como era seu pai. Agora, o progenitor mudou de hábitos e precisa pescar à noite, por isso passa os dias dormindo. O garoto acredita que alma do pai está confusa. Com um tom fabular, o filme mistura os sonhos infantis com a vivência cotidiana de uma família ribeirinha.

O resultado é um deleite visual. A forma ingênua com que o menino enxerga o mundo, suas pequenas aventuras e invenções pueris exalam um encanto lírico. Existe ainda um resgate de lendas indígenas, dos mistérios da floresta amazônica e da relação pai e filho. Cativante é a palavra.

Noite Perpétua 

Diretor: Pedro Peralta | País: Portual, França

Num cenário de guerra iminente, uma mulher é obrigada a se despedir da família e deixar sua casa. Assim é Noite Perpétua, curta que apresenta uma mise-en-scène meticulosa, que capta as nuances desse adeus que pode ser definitivo. Num espaço cênico onde reina o contraste entre parcas luzes e sombras dominantes, os homens são relegados ao exterior, enquanto a família matriarcal ocupa o interior.

Existe um constante sentimento de rompimento trágico de relações, pontuado inicialmente pelo insistente choro da bebê e posteriormente pelo silêncio. Resignada, a mulher aceita seu destino, ciente de que sua história continuará através de suas filhas.

* Este texto faz parte da cobertura do Cinemascope sobre o Festival Olhar de Cinema

Para conhecer outros curtas do Festival Olhar de Cinema, confira a programação.

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